Sobre a Amazônia
Com seis milhões de Km2, a floresta amazônica cobre uma área equivalente a 25 vezes a área do Reino Unido ou 15 vezes a área da Califórnia. A floresta amazônica se distribui em nove países, sendo que sua maior extensão está no Brasil. A região amazônica abriga, aproximadamente, um quinto de todas as espécies do planeta, um quinto de toda a biomassa de carbono e vários milhões de pessoas. O vapor de água formado na Amazônia nutre a agricultura de regiões ao sul, incluindo plantações de biocombustíveis que são utilizados em milhões de automóveis. A cada ano, as florestas na Amazônia ciclam 18 bilhões de toneladas de carbono – mais de duas vezes a quantidade de carbono emitida pela queima de combustíveis fósseis no mundo. Assim, uma pequena mudança no balanço de carbono nas florestas e solos amazônicos provocaria um efeito significativo na velocidade em que o dióxido de carbono é acumulado na atmosfera do planeta.
As florestas na Amazônia estão sob intensa pressão antrópica e, portanto, são afetadas pela conversão de áreas de floresta em pastagens e pela exploração madeireira e de recursos naturais. Essas florestas estão, ainda, sujeitas ao aquecimento do clima e às mudanças da atmosfera. Devido à sua vasta dimensão, as alterações na floresta amazônica têm potencial para modificar significativamente o balanço global dos gases de efeito estufa (CO2, CH4), a química e o clima da atmosfera e, ainda, a biodiversidade do planeta. Alguns cenários sugerem uma enorme emissão de carbono proveniente da vegetação e dos solos da Amazônia, acelerando mudanças climáticas globais, mesmo antes de se considerar os impactos diretos do desmatamento sobre a floresta.
Embora a Amazônia tenha claramente importância global no ciclo do carbono, a maneira exata como esse ciclo ocorre na região permanece controversa. Mesmo para as regiões que não estão sujeitas a rápidas mudanças do uso da terra, o entendimento do ciclo do carbono ainda permanece incompleto. Pesquisas anteriores realizadas pela rede RAINFOR demonstraram que a floresta sequestrou carbono extra ao longo dos últimos anos. Esse sequestro pode ser suficiente para desacelerar a taxa das mudanças climáticas, mas esse ‘subsídio’ da natureza pode estar ameaçado pelas próprias mudanças climáticas. O monitoramento da floresta em campo, ao longo de toda a região amazônica, é essencial para avaliar essa ameaça e para oferecer melhor entendimento dos benefícios que a Amazônia pode oferecer frente às mudanças climáticas globais. Entender a dinâmica do carbono de todo o sistema é fundamental, uma vez que temos como objetivo determinar seu potencial para acelerar ou desacelerar mudanças climáticas no século XXI, assim como o provável futuro de sua excepcional biodiversidade.