rainfor

Rede Amazônica de Inventários Florestais

South Peru


Sobre a rede RAINFOR

A rede RAINFOR foi, primeiramente, estabelecida como parte do projeto CARBONSINK, a contribuição europeia para o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). A União Europeia apoiou a coordenação geral da rede RAINFOR de 2000 até 2002, parte do trabalho de campo e ainda um programa de formação que ocorreu de 2004 a 2006 (Pan-Amazonia). O Instituto de Biogeoquímica Max-Planck (Alemanha) apoiou a coordenação da rede e trabalhos de campo de 2002 a 2004. A ‘National Geographic’ (EUA) e a Sociedade Real (Reino Unido) também apoiaram parte dos trabalhos de campo (Perú, de 2001 a 2003). Recentemente, o Conselho de Pesquisa de Ambiente Natural do Reino Unido (NERC, UK) começou a apoiar a expansão das actividades de pesquisas similares - já realizadas pela rede RAINFOR na Amazônia - para a África (AfriTRON), Ásia e Austrália. Desde Dezembro de 2007, que a rede RAINFOR é apoiada pela Iniciativa Andes e Amazônia da Fundação Gordon e Betty Moore.

Objectivos

As florestas da Amazônia compõem um dos ecossistemas mais importantes do planeta, pois abrigam 45% das florestas tropicais do mundo e armazenam 40% do carbono na sua vegetação terrestre (Malhi e Grace 2000). Assim, mudanças relativamente pequenas na estrutura e/ou na função dessas florestas podem ter consequências globais para a biodiversidade, ciclo do carbono e taxa de mudanças climáticas.

Florestas tropicais localizadas distantes das áreas de desmatamento ou de influência antrópica significante e, portanto, aparentemente não perturbadas, estão sofrendo mudanças inesperadas. O monitoramento de parcelas nessas áreas indica que as populações de árvores sofreram aumento na taxa de mortalidade e de recrutamento (“turnover”) na última parte do século XX (Phillips and Gentry 1994; Lewis et al. 2004, Phillips et al. 2004). Dados dessas parcelas indicam, ainda, que, na região tropical das Américas, a área basal e a biomassa de florestas maduras aumentaram durante esse mesmo período (Phillips et al. 1998, Baker et al. 2004), sugerindo que a Amazônia sequestra 0.3 - 0.7 Pg de carbono por ano.

A rede RAINFOR foi estabelecida para reunir pesquisadores de toda a Amazônia que mantêm amostragens permanentes em parcelas de inventários florestais. Compilando e comparando esses estudos, as informações tornam-se disponíveis em escala regional, oferecendo idéias vitais sobre as diversas maneiras como os ecossistemas amazônicos respondem às mudanças climáticas e como responderão aos cenários futuros de mudanças climáticas globais.

Os objetivos da rede RAINFOR são:

  • Relacionar estrutura, biomassa e dinâmica florestal recente e atual com propriedades do clima e do solo;
  • Compreender de que maneira o clima e o solo direcionam mudanças futuras na dinâmica e na estrutura da floresta;
  • Compreender as relações entre produtividade, mortalidade, biomassa e biodiversidade;
  • Avaliar como mudanças climáticas podem afetar a biomassa e a produtividade da floresta regionalmente e, assim, oferecer informações sobre o balanço do carbono na escala da bacia amazônica;
  • Examinar a variação da biodiversidade de árvores ao longo da Amazônia e sua relação com o clima e o solo;
  • Oferecer treinamento em métodos utilizados para medidas de biomassa, dinâmica florestal e processos relacionados ao carbono para jovens cientistas da Amazônia.





eastern flank of the Andes, Amazonian Ecuador










forest canopy at dawn, Amazonian Brazil

Sobre a Amazônia

Com seis milhões de Km2, a floresta amazônica cobre uma área equivalente a 25 vezes a área do Reino Unido ou 15 vezes a área da Califórnia. A floresta amazônica se distribui em nove países, sendo que sua maior extensão está no Brasil. A região amazônica abriga, aproximadamente, um quinto de todas as espécies do planeta, um quinto de toda a biomassa de carbono e vários milhões de pessoas. O vapor de água formado na Amazônia nutre a agricultura de regiões ao sul, incluindo plantações de biocombustíveis que são utilizados em milhões de automóveis. A cada ano, as florestas na Amazônia ciclam 18 bilhões de toneladas de carbono – mais de duas vezes a quantidade de carbono emitida pela queima de combustíveis fósseis no mundo. Assim, uma pequena mudança no balanço de carbono nas florestas e solos amazônicos provocaria um efeito significativo na velocidade em que o dióxido de carbono é acumulado na atmosfera do planeta.

As florestas na Amazônia estão sob intensa pressão antrópica e, portanto, são afetadas pela conversão de áreas de floresta em pastagens e pela exploração madeireira e de recursos naturais. Essas florestas estão, ainda, sujeitas ao aquecimento do clima e às mudanças da atmosfera. Devido à sua vasta dimensão, as alterações na floresta amazônica têm potencial para modificar significativamente o balanço global dos gases de efeito estufa (CO2, CH4), a química e o clima da atmosfera e, ainda, a biodiversidade do planeta. Alguns cenários sugerem uma enorme emissão de carbono proveniente da vegetação e dos solos da Amazônia, acelerando mudanças climáticas globais, mesmo antes de se considerar os impactos diretos do desmatamento sobre a floresta.

Embora a Amazônia tenha claramente importância global no ciclo do carbono, a maneira exata como esse ciclo ocorre na região permanece controversa. Mesmo para as regiões que não estão sujeitas a rápidas mudanças do uso da terra, o entendimento do ciclo do carbono ainda permanece incompleto. Pesquisas anteriores realizadas pela rede RAINFOR demonstraram que a floresta sequestrou carbono extra ao longo dos últimos anos. Esse sequestro pode ser suficiente para desacelerar a taxa das mudanças climáticas, mas esse ‘subsídio’ da natureza pode estar ameaçado pelas próprias mudanças climáticas. O monitoramento da floresta em campo, ao longo de toda a região amazônica, é essencial para avaliar essa ameaça e para oferecer melhor entendimento dos benefícios que a Amazônia pode oferecer frente às mudanças climáticas globais. Entender a dinâmica do carbono de todo o sistema é fundamental, uma vez que temos como objetivo determinar seu potencial para acelerar ou desacelerar mudanças climáticas no século XXI, assim como o provável futuro de sua excepcional biodiversidade.