Perú - Maio 2010 - Outubro 2011
Uma campanha de campo de dois anos está a ser levada a cabo em Madre de Dios, Perú, para melhorar as estimações de biomassa nos diferentes tipos de floresta desta área. A equipa liderada por Rosa Goodman e Tim Baker trabalha numa concessão florestal perto de Iñapari e das parcelas RAINFOR, na Reserva Nacional de Tambopata. A primeira parte desta campanha consiste em pesar as árvores nas florestas abertas, dominadas por bambu, que é um tipo importante das florestas onde não há outros dados de biomassa directamente medidos. Do mesmo modo, vão medir e pesar as espécies comuns de palmeira. Estes conjuntos de dados serão usados para criar novas equações alométricas para prever o armazenamento de carbono nas árvores e palmeiras nesta região. Em terceiro lugar, levar-se-á a cabo os inventários ao ar livre, nos bosques de bambu na concessão florestal y nas florestas secundárias fora da Reserva Nacional Tambopata para estimar a biomassa total nestes tipos de floresta. Por último, estas e existentes estimações terrestres da biomassa serão utilizadas para calibrar os dados de sensoriamento remoto sobre uma área de 13.875 hectares em Tambopata.
Bolívia - Fevereiro - Março 2011
Com o financiamento de um subsídio de urgência da NERC concedido à Universidade de Leeds, uma equipa de 9 pessoas liderada por Alejandro Murakami (Museu de História Natural do Parque Noel Kempff, na Bolívia) e Yoko Ishida (INPA, Brasil) começou a remedição de cerca de 10 parcelas permanentes na Bolívia. A logística da viagem foi organizada pelo Ted Feldpausch (Leeds) e Chiqui Array (Museu de História Natural do Parque Noel Kempff, na Bolívia). As novas medições e colecta de amostras de folhas/madeira foram realizadas em parcelas permanentes na floresta sazonalmente seca (Chiquitano) e savanas, primeiro em três parcelas, em "Ottavio" (perto de San Ignacio de Velasco) e em seguida, em mais três parcelas de Tucavaca (perto de San José de Chiquitos). Jon Lloyd (Universidade de Leeds e James Cook University, Austrália) viajou do Reino Unido com 30 kg de equipamento de campo, e juntou-se à equipa durante os primeiros dias de Ottavio. Embora os arredores de Ottavio tivessem sofrido uma severa seca em 2010, havia poucos (ou alguns) indicadores evidentes de que as florestas e/ou as savanas da região tivessem sofrido com esta. A decepção veio depois, quando a equipa se deslocou para o norte, para remedir a floresta de transição no sítio de Acuário (cerca de 100 km a sul do Parque Nacional Noel Kempff). Depois de uma jornada árdua de um dia e meio foi encontrado o sítio quase totalmente destruído pelos habitantes de povoados próximos, que procuram expandir o seu território. No entanto, as árvores que foram encontradas foram remedidas. Em Abril, a equipa boliviana voltará ao Noel Kempff para remedir as parcelas que se encontram na floresta e savana. Esta foi a primeira de duas campanhas de medição previstas no âmbito do projecto de Urgência da NERC. Em Março /Abril, uma equipa liderada por Beatriz Marimon, Ben Hur Marimon, Ricardo Umetsu (Universidade Estadual de Mato Grosso) e Yoko Ishida re-amostraram a região de Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil, para coincidir com o censo anterior da RAINFOR/TROBIT. Em todos os sítios na Bolívia e em Mato Grosso, os membros da equipa são treinados em medições/características fisiológicas das árvores para avaliar o papel potencial das adaptações fisiológicas à seca. Esta investigação "urgente" ajudar-nos-á a entender como a composição e estrutura florestal podem variar devido às características fisiológicas das árvores seleccionadas pela seca, um primeiro passo importante para determinar os impactos a longo prazo da possível frequência das secas cada vez maiores nas florestas de transição da Amazónia e nas savanas.
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Mato Grosso, Brasil - Novembro 2010
Em Novembro de 2009, foram marcadas e medidas duas parcelas permanentes de 1 hectare cada, na Floresta Amazónica, em área de pesquisa na Fazenda Tanguro, nordeste do estado de Mato Grosso, Brasil. A equipa foi integrada pelos professores da UNEMAT de Nova Xavantina, Beatriz Schwantes Marimon, Ben Hur Marimon Junior e Eddie Lenza e os alunos do mestrado em ecologia e conservação da UNEMAT Edmar Almeida de Oliveira, Claudinei dos Santos, Leandro Maracahipes e Paulo Morandi. Estas florestas estão localizadas na transição entre o cerrado (savana brasileira) e a Amazónia, em solos ácidos e pobres em nutrientes. Em Novembro de 2010 foi demarcada e medida uma nova parcela de 1 hectare em Ribeirão Cascalheira, também nordeste de Mato Grosso com a mesma equipa. A transição Amazônia-Cerrado coincide com o limite entre a alta pluviosidade amazónica (>2.000 mm anuais) e a média pluviosidade do bioma cerrado (<1.700 mm anuais). Este tipo de floresta é marcado pelo provável avanço natural sobre o cerrado, por sua alta dinâmica, alta biodiversidade e grande risco de ameaça pelo desmatamento. Da mesma forma que a savana brasileira, estas florestas tropicais de transição enfrentam longos períodos de seca entre Abril e Setembro, quando ocorre queda mais acentuada de serapilheira, formando densa camada sobre o piso florestal, onde uma espessa malha de raízes superficiais reabsorve os nutrientes e impede o colapso nutricional da floresta. A Fazenda Tanguro e Ribeirão Cascalheira ficam no chamado “arco do desmatamento” ou “fronteira agrícola brasileira”, uma região de agro-negócios bilionários, com agricultura altamente mecanizada, onde as maiores lavouras de soja do mundo, algumas chegando a mais 100 mil hectares, exibem altíssima produtividade devido ao clima favorável. Mato Grosso é o maior produtor de soja, algodão e carne bovina do Brasil.
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Bolívia - Outubro - Novembro 2010
Em Outubro de 2010, a RAINFOR e o Instituto Boliviano de Investigación Forestal (IBIF, Santa Cruz), trabalharam juntos durante 3 semanas na concessão florestal de La Chonta. As equipas constituídas por Roel Brienen, Abel Monteagudo, Joey Talbot, Antonio Peña e Víctor Chama (RAINFOR), e Alfredo Alarcón, Yuri Bustamante e Alexander (IBIF) completaram as novas medições de uma das experimentações florestais dentro da concessão de La Chonta, que consiste em mais de 100 hectares de parcelas permanentes. Em algumas parcelas (4 hectares) foram usados os padrões e protocolos da RAINFOR, incluindo lianas e também se realizaram as respectivas recolhas botânicas para melhorar a identificação das espécies. La Conta encontra-se na zona de transição das florestas Chiquitano e Amazonia, no departamento de Santa Cruz, perto de Guarayos. Esta região foi especialmente afectada pela nova seca que ocorreu no sul da Amazónia este ano. As temperaturas eram muito altas e denso fumo produzido por incêndios em áreas envolventes penetrou a floresta. Depois de completar este trabalho, a equipa da RAINFOR liderada pelo Abel Monteagudo, dirigiu-se para o norte da Bolívia para remedir outra série de parcelas na concessão florestal de MABET, na parte nordeste do departamento de Pando. Estas parcelas foram instaladas pelo IBIF e outros investigadores entre 1999 e 2003. Vincent Vos e os estudantes Yasmar Chao e Gilberto Suarez da UAB (Universidad Autónoma del Beni) uniram-se à equipa e com a ajuda adicional de MABET (de Nelson Cuata e Gregorio Aguada), mais 7 parcelas foram re-medidas de acordo com os padrões e protocolos da RAINFOR. Durante esta campanha realizaram-se mais de 1.500 colecções botânicas, o que permitirá melhorar o conhecimento da composição florística desta região.
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Equador - Junho - Agosto 2010
Um trabalho de campo de sete semanas foi levado a cabo entre finais de Junho e princípios de Agosto de 2010 para remedir oito parcelas permanentes nas florestas tropicais chuvosas do Equador. A equipa, integrada por Roel Brienen, Abel Monteagudo, Antonio Peña, Euridice Honorio e 5 estudantes equatorianos remediu 4 parcelas permanentes na área protegida de Jatun Sacha. Estas parcelas estão localizadas na pré-cordilheira andina e têm solos muito férteis. Estas são uma das florestas mais dinâmicas dentro da rede da RAINFOR. Após terminar as medições e colheitas botânicas das parcelas de Jatun Sacha, o Roel e a Euridice regressaram a Quito, enquanto o resto da equipa foi para o Parque Nacional Yasuní. Aqui, a equipa voltou a remedir duas das parcelas mais longas da RAINFOR; os transectos de Bogi têm 1 km de longitude por 10 metros de largura. Também se localizou com êxito uma parcela permanente sazonalmente inundável (baixa) que foi instalada por Nigel Pitman em 1997, na margem do Rio Tiputini, e que será agora adicionada à base de dados da RAINFOR. Finalmente, a equipa deslocou-se à Estação de Biodiversidade de Tiputini onde mais duas parcelas foram remedidas. As florestas do Equador encontram-se entre as mais diversas do planeta com uma média de aproximadamente 240 espécies por hectare. De um modo geral, a campanha foi um grande sucesso com cerca de 5.000 registos de diâmetros de árvores, mortalidade e recrutamento, e mais de 1100 especímenes botânicos recolhidos.
Perú - Maio - Julho 2010
Em Maio/Julho de 2010, Beto Quesada e Erick Oblitas levaram a cabo uma jornada um pouco "épica" para colectar amostras de solo em mais de 20 parcelas permanentes, em vários sítios no Perú. No início de Maio, o Erick e a sua equipa começaram a viagem em Iquitos fazendo amostragem intensiva de solo na Reserva de Mishana Alpahuayo. Após a conclusão do trabalho lá, Erick e Roger Campos, um técnico florestal local, foram para Cusco, onde Beto Quesada se juntou à equipa. O objectivo da viagem foi, em seguida, proceder à análise dos solos ao longo de um percurso transversal altitudinal que se estende desde os Andes até a Amazónia. Duas equipas grandes foram formadas, nas quais Erick e o Beto se separaram para cobrir uma área maior. Beto Quesada liderou uma equipa de campo para recolha intensiva de amostras de solo com a ajuda dos estudantes locais de biologia, Carlos Quispe, Alexandro Cusihuallpa, Antonio Quintano e Carlitos, todos da Universidade San Antonio Abad del Cusco. Esta equipa foi até à Estação de Campo de Wayqecha onde 800 amostras de solo foram colectadas a >3000m de altitude. (leia mais sobre a viagem aqui)
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Guiana - Fevereiro - Abril 2010
Roel Brienen e Abel Monteagudo lideraram o trabalho de campo de dois meses no interior da Guiana com o objectivo de remedir um total de 12 parcelas permanentes de amostragem em Mabura Hill, Pibiri e Iwokrama. A equipa formada por participantes da Holanda, Suriname, Perú, Brasil e Guiana começou o seu trabalho em Mabura Hill e Pibiri, onde se remediram as parcelas que foram instaladas originalmente por Tropenbos-Guyana em 1993, e que agora estão sendo administradas pela Comissão Florestal da Guiana (GFC). Passado uma semana, o Eric Mendoza e Samuel Almeida Jr., chegaram do Brasil e juntaram-se à equipa para realizar a primeira amostragem de solos da RAINFOR (standard) para estas parcelas. Como as parcelas estão localizadas no antigo escudo da Guiana, os seus solos encontram-se entre os mais pobres da Bacia Amazónica, e têm taxas de crescimento muito baixas e com uma dinâmica lenta. Elas são uma valiosa adição à rede RAINFOR e constituirá um excelente contraste com as parcelas na Amazónia ocidental com solos mais ricos. Passado um mês, a equipa deslocou-se para a reserva florestal de Iwokrama, 80 km a sul de Mabura. Esta área de floresta única é gerida pelo Centro Internacional de Iwokrama para a Conservação e o Desenvolvimento de Florestas Tropicais (CII) onde se combina a silvicultura sustentável, com o turismo e a conservação. A equipa mudou com sucesso duas parcelas permanentes de amostragem instaladas em 1999 e incorporaram-se outras quatro parcelas, que fazem parte da experimentação florestal de Iwokrama. Nestas parcelas, a equipa complementou medições já existentes com árvores de classe de tamanho mais pequeno, de 10-20 cm. Durante esta campanha, a equipa recolheu amostras botânicas de mais de 750 árvores e lianas, que serão depositadas em Herbários locais na Guiana e no Perú (Oxapampa) para serem posteriormente identificadas.
Colômbia - Janeiro de 2010 em diante
A nova colaboração da RAINFOR com o Jardim Botânico de Medellín começou em Janeiro, com Esteban Alvarez, Cogollo Alvaro, Phillips Oliver e outros pesquisadores colombianos e estudantes. Visitámos o fragmento de floresta montanhosa em San Sebastian, perto de Medellín, onde uma parcela permanente foi criada em 2003. Depois de analisar protocolos da RAINFOR a seguir, no que diz respeito ao trabalho de campo e da base de dados, a equipa JBM deslocou-se para a zona baixa da floresta, no vale Magdalena. Nos próximos meses, a equipa vai remedir as parcelas permanentes em várias partes da Colômbia, incluindo florestas na Amazónia, Andes, Chocó e nas Caraíbas.
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Pará, Caxiuaña, Brasil - Novembro 2009
Liderado por Samuel Soares de Almeida, ecólogo do Museu Goeldi, Brasil, com participação do biólogo Antonio Sérgio Lima da Silva e de outras 6 pessoas, foi realizada expedição à Floresta Nacional de Caxiuanã, para remedição de 6 parcelas de 1 hectare cada. O acesso a Caxiuanã é fluvial, usando como meio de transporte barco motorizado. A jornada de Belém a Caxiuanã é de 22 horas. A floresta de Caxiuanã é do tipo tropical húmida sempre verde, com elevada biomassa e diversidade. As parcelas mais antigas foram estabelecidas em 2001 (Caxiuanã 1 e 2), e as demais a partir de 2003 (2 Esecaflor e 2 Parama). No recenseamento foram registados dados sobre os novos diâmetros, mortalidade e recrutamento de novas plantas. Foram feitas também actividades de manutenção como substituição de etiquetas, marcação dos troncos com tinta e substituição de alguns piquetes. Também puderam contar com a participação do ecólogo de solos, Beto Quesada, realizando levantamento intensivo dos solos, em perfis de 2m de profundidade, dentro das parcelas seguindo o protocolo já utilizado em outros sítios, visando estimar as quantidades de carbono no solo. A campanha foi bem sucedida com a remedição e registo de mortalidade e recrutamento de cerca de 3.000 plantas. Foram colectadas amostras botânicas para identificação no Herbário do Museu Goeldi.
Oxapampa, Pasco, Perú - Setembro - Outubro 2009
Durante uma viagem de 7 semanas, Abel Monteagudo (Jardín Botánico de Missouri, Perú - RAINFOR) liderou uma equipa de seis peruanos para remedir 7 parcelas na selva central do Perú, através de um gradiente de altitude. Primeiro viajaram desde Oxapampa-Pasco (a 1800 manm) para visitar as terras baixas do Parque Nacional Yanachaga Chemillen, nos arredores da Estação Biológica Paujil. Foi necessário acampar para a acessibilidade e remedição das 5 parcelas da RAINFOR com altitudes entre 400-900 manm. Posteriormente, a equipa voltou para Oxapampa, com alguns problemas pelo caminho devido a bloqueios e ocupação das estradas pela população indígena local, para um breve descanso e se preparar para a próxima medição da parcela Yanachaga, situada a 3200 manm, a mais alta na selva central do Perú. Da mesma forma, um acampamento foi montado nas proximidades da parcela, e depois de mais um descanso, prepararam-se para a última viagem de campo para remedir a parcela Oso-Playa, situada a 2400 manm e a mais distante, situada a norte do Parque Nacional. Depois de terem montado o acampamento, tiveram de caminhar quase duas horas por uma estrada bastante atribulada para chegar a esta parcela e outras duas horas para voltarem ao acampamento. Depois de vários dias e de alternar o trabalho de campo com a colecta de flora da área de estudo, puderam completar a remedição. Ao mesmo tempo, que ocorreu a remedição das 5 parcelas na parte inferior da selva, o trabalho duro de cavar um poço de amostragem de solo em cada parcela foi realizado, e este trabalho de amostragem foi conduzido por Erick Oblitas (INPA, Brasil - RAINFOR). Na sequência dos trabalhos de campo durante Outubro e Novembro, os espécimes botânicos colectados dos recrutas foram identificadas e depositadas no Herbário (Hoxa). Os dados estarão brevemente disponíveis ao público, na base de dados da Forest Plots.
Acre, Brasil - Junho - Agosto 2009
Ted Feldpausch e Beto Quesada lideraram uma expedição de campo de dois meses no Acre, Brasil, juntamente com os colaboradores RAINFOR-Moore Marcos Silveira, Jorcely Barroso, Erick Mendoza e Edilson Consuelo para remedir parcelas florestais, estabelecidas em 1995. A pesquisa foi realizada na região do Alto Juruá na remota fronteira Brasil-Perú e na Reserva Extrativista Chico Mendes, na fronteira com a Bolívia. A primeira fase conduzida por Ted, Jorcely, Edilson e estudantes da Univ Federal do Acre, Cruzeiro do campus Sul (UFAC), requiriu viajar de canoa durante vários dias para obter acesso a florestas visitadas em 1995 e 2003. A segunda fase levada a cabo por Ted, Beto, Erick, Edilson e alunos da UFAC, campus de Rio Branco na RESEX Chico Mendes incluiu a primeira amostragem de grande intensidade de solo, no projecto RAINFOR Moore, realizada por Beto para estabelecer quantidades de carbono do solo para a Bacia Amazônica. A amostragem incluiu 50 perfis de solo de 2m de profundidade por parcela; o trabalho será replicado em toda a bacia. Estas parcelas representam um tipo de floresta original - dominado por bambu - para a rede RAINFOR.